Acusado de sequestro aguarda cirurgia
Um
dos integrantes da quadrilha que sequestrou Porcino Segundo, está
internado em uma das enfermarias do Hospital Walfredo Gurgel. Anderson
de Souza do Nascimento foi baleado no momento em que a polícia
"estourou" o cativeiro. Inicialmente, ele foi atendido no Hospital Santa
Catarina, mas agora, aguarda vaga em um dos hospitais da rede estadual
para realizar uma segunda cirurgia no local do ferimento à bala. Doze
policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BP Choque) se revezam para
garantir a segurança do acusado.
Rodrigo Sena
Doze policiais militares se revezam no plantão 24 horas por dia em enfermaria do Walfredo Gurgel
Anderson
de Souza divide a enfermaria com dois pacientes. De acordo com o
prontuário médico, o estado de saúde dele é normal. Está consciente,
orientado e respira normalmente. A diferença entre os demais pacientes,
além da presença de policiais em frente ao quarto, são as algemas que
prendem Anderson à cama.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve
no local ontem à tarde. Os policiais não autorizaram fotografar o
acusado e ele não quis falar com a equipe de reportagem. Funcionários do
hospital afirmaram que a mãe do acusado já foi visitá-lo algumas vezes,
mas os policiais negam a afirmação. "Ele está incomunicável e não
recebe a visita de ninguém. Somente com a autorização da delegada do
caso é que ele pode falar", disse um dos policiais.
Um dos
acompanhantes que está no mesmo quarto de Anderson contou que ele não
conversa com ninguém. O homem que não quis se identificar, disse ainda
que o acusado já recebeu a visita da mãe. "Já veio uma pessoa aí e disse
que era mãe dele. Mas foi só uma vez. Ele não fala muita coisa, até
porque os policiais pediram que a gente não puxasse conversa com ele",
disse.
Bandido morto não seria "Cabeção"O
delegado adjunto da Divisão Especializada de Combate ao Crime
Organizado, Marcelo Alberto Maceiras, informa que o inquérito policial
sobre o sequestro de Porcino Segundo, o "Popó", será concluído nesta
sexta-feira, dia 3, e enviado para a Comarca de Ceará-Mirim. Marcelo
Maceiras não declinou os nomes e nem confirmou quantos pedidos de prisão
preventiva ser'ao encaminhados à Justiça.
O quinto acusado
preso, Luiz Eduardo Lima Magalhães Filho, foi transferido na
sexta-feira, dia 27, para a Cadeia Pública Nominando Gomes, em Nova
Cruz, onde já se encontravam presos aguardando o pronunciamento da
Justiça Paulo Victor Lopes Monteiro e José Orlando Evangelista da Silva.
A namorada de Paulo Victor, Bruna Pinho Landim está presa na ala
feminina do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Parnamirim.
IDENTIDADE A
assessoria de imprensa da Degepol informou que ainda não foi confirmada
a identidade do sequestrador morto por ocasião da libertação de "Popó".
Inicialmente, a Deicor levantou que o morto chamava-se José Erivan,
apelidado de "Cabeção". Mas, já se trabalha com a hipótese de que o
morto seria o cearense Francisco Genério Bruno da Silva, natural de
Quixadá e que respondia por crime de sequestro e assalto a carro forte
no CE. Para se chegar a verdadeira identidade do morto, falta apenas
confrontar as suas impressões digitais com os arquivos da medicina legal
do Ceará. Mas, de acordo com o Itep, foi com esse nome, de Francisco
Genério, que o corpo foi liberado para sepultamento no Ceará.
Francisco
Genério teria, inclusive, liderado uma quadrilha formada por 13
sequestradores que, em 26 de junho de 2008, sequestrou o estudante Vitor
Rolim, então com 17 anos, filho do dono de uma revendedora de veículos e
de lojas de departamento naquele estado. Ele foi localizado e liberado
em virtude de um chip que foi implantado no braço, com tecnologia GPS e
foi encontrado em Mossoró.
Teor das escutas telefônicas serão liberadasA
juíza da Vara Criminal da Comarca de Ceará-Mirim, Valentina Helena de
Lima Damasceno, explicou que o processo criminal relativo aos cinco
acusados do sequestro do estudante Porcino Fernandes Segundo, "Popó",
não corre em segredo de justiça. Ela disse que o sigilo ocorre só em
relação às interceptações telefônicas, que foram necessárias para se
descobrir ao local do cativeiro da vítima e à prisão dos criminosos.
Ela estima que "dentro de dez dias" o teor das escutas telefônicas saem
do segredo de Justiça, depois que "as provas forem finalizadas" e
concluído o relatório, porque as partes, como os réus, "precisam ter
acessos autos para poderem se defender".
Ela explicou, ainda, que
estão em tramitação três processos judiciais, o primeiro relativo às
escutas telefônicas e o segundo sobre o auto de prisão em flagrante dos
acusados Paulo Victor Lopes Monteiro, a namorada dele Bruna de Pinho
Landim, José Orlando Evangelista e Anderson de Sousa Nascimento. Já o
terceiro processo refere-se ao acusado Luiz Lima Magalhães Filho, e
começou a tramitar em separado, porque não houve a sua prisão em
flagrante, mas um pedido de prisão preventiva, que foi cumprido. O
processo de Magalhães filho deverá, segundo ela, ser anexado ao processo
de número 0002095.-39.2012.8.20.0102, que foi distribuído na
quarta-feira, dia 25 de julho.
Criminosos serão autuados em quatro artigosOs
sequestradores do estudante "Popó Porcino" deverão ser indiciados em
pelo menos quatro artigos do Código Penal e em um artigo (16) da Lei nº
10.826/2003, que prevê pena de três a seis anos de reclusão por porte de
arma de fogo de uso restrito.
De acordo com o processo, os
criminosos foram autuados, ainda, por crimes de extorsão mediante
sequestro, formação de quadrilha e falsificação de documentos.
Segundo
os autos, as prisões dos sequestradores começou em Natal, com a
detenção de José Orlando Evangelista Silva, e a dos demais acusados em
Extremoz, mas como o fato foi iniciado em Ceará-Mirim, a competência
para o processamento e julgamento do feito foi, "por prevenção", para a
Vara Criminal deste último município.
O auto de prisão em
flagrante foi homologado pela juíza Valentina Damasceno na quinta-feira,
dia 26, depois de ter verificado "que o ato de constrição de liberdade
de todos os autuados" estava revestido das formalidades legais, "posto
que foi devidamente formalizado por autoridade policial competente",
inclusive constando no auto de prisão, que "os autuados foram presos
enquanto praticavam a ação penal".
Conforme diz os autos, a juíza
Valentina Damasceno só deixou de decretar a prisão preventiva - a fim
de assegurar a aplicação da lei penal e garantir a instrução criminal - a
respeito de José Erivan, o "Cabeção", em virtude de seu óbito. Ela
deixou para proferir decisão acerca da extinção de punibilidade "após a
realização de diligências necessárias à sua identificação".
Por
fim, a juíza da Vara Criminal de Ceará-Mirim expediu busca de certidões
de antecedentes criminais em nome dos autuados e, em caso de haver
registros criminais, que se comunicasse acerca de suas prisões no Rio
Grande do Norte. Além disso, caso houvesse certidões informando sobre
condenação em nome de alguns deles, que se requeresse a certidão
circunstanciada do registro.
Fonte:Tribuna do Norte